sexta-feira, 4 de março de 2011


Eclesiástico 43
O sol

1. Orgulho das alturas, firmamento de pureza, eis o aspecto do céu numa visão de glória!

2. O sol que aparece proclama, ao sair, que coisa maravilhosa é a obra do Altíssimo.

3. Ao meio-dia resseca a terra: quem poderá resistir ao seu calor?

4. Se alguém acende a fornalha para os trabalhos a fogo, o sol esquenta as montanhas três vezes mais: exala vapores ardentes e, dardejando seus raios, ofusca os olhos.

5. É grande o Senhor que o fez e que, com suas palavras, lhe acelera o curso. A lua

6. Também a lua, sempre pontual em suas fases, indica as épocas e é um sinal do tempo.

7. É a lua que assinala as festas, diminuindo a claridade até desaparecer.

8. É dela que o mês recebe o seu nome, enquanto cresce maravilhosamente em suas mudanças. Ela é o farol dos exércitos do alto, rebrilhando no firmamento do céu. As estrelas

9. Beleza do céu é o brilho das estrelas, ornamento que resplende nas alturas do Senhor.

10. Às ordens do Santo ficarão, segundo o seu decreto, sem jamais abandonarem seus postos de vigia. O arco -íris

11. Olha o arco-íris e bendize quem o fez, magnificamente belo em seu esplendor:

12. cinge o céu com um círculo de glória, pelas mãos do Altíssimo estendido. Outras maravilhas

13. Por sua ordem faz cair a neve e lança os relâmpagos de seu julgamento.

14. Por causa disso é que se abrem seus tesouros e as nuvens esvoaçam como pássaros.

15. Em sua grandeza condensa as nuvens e as pedras de granizo se fragmentam.

17a A voz do seu trovão aterroriza a terra

16. e ante a sua visão as montanhas se abalam. Por sua vontade sopra o vento do sul,

17b assim como o furacão do norte e os ciclones. Espalha a neve como pássaros que descem, e ela cai como gafanhotos que pousam.

18. A beleza de sua alvura arrebata o olhar, e o coração se sente extasiado ao vê-la cair.

19. Despeja sobre a terra a geada, como sal, e ela enrijece como pontas de espinhos.

20. O vento frio do norte põe-se a soprar, fazendo condensar-se o gelo sobre a água; e sobre toda a massa líquida se estende, como de uma couraça revestindo a água.

21. Esse vento devora as montanhas e abrasa o deserto, e consome o verdor das plantas como fogo.

22. A névoa úmida é pronto remédio para tudo isso; e o orvalho, que chega após o verão, traz alegria. O mar

23. O Senhor, com seu desígnio, aplacou o oceano e nele plantou as ilhas.

24. Os que navegam sobre o mar descrevem seus perigos, e ficamos admirados com o que ouvimos a respeito:

25. há nele coisas estranhas e maravilhosas, animais de toda espécie e monstros marinhos.

26. Para o Senhor, porém, seu mensageiro chega à meta e por sua palavra tudo se coaduna. A glória de Deus

27. Poderíamos dizer muitas coisas e não chegaríamos ao fim. Eis o resumo das palavras: "Ele é tudo".

28. Onde acharíamos força para glorificá-lo? Ele é o Grande, acima de todas as suas obras.

29. O Senhor é terrível e soberanamente grande, e admirável é seu poder.

30. Glorificando o Senhor, exaltai-o quanto puderdes, pois estará sempre ainda mais acima. Para exaltá-lo redobrai as forças, e não vos canseis, pois não chegareis ao fim.

31. Quem o viu para podê-lo descrever? Quem o louvará assim como ele é?

32. Há muitos mistérios, maiores ainda, porque vemos poucas dentre as suas obras.

33. Pois o Senhor criou todas as coisas e aos piedosos concedeu a sabedoria.

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